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Sumário:
A
pré-história é o período anterior à invenção da escrita. Para conhecer como
viviam os povos primitivos que não nos deixaram documentos escritos, os
arqueólogos se valem da análise de pedras lascadas, potes de cerâmicas,
sepulturas e restos de habitações.
A
divisão da pré-história em Idade da Pedra, Idade do Bronze e Idade do Ferro,
baseada nos materiais utilizados nas ferramentas, foi adotada no início do séc.
XIX, subdividindo-se a Idade da Pedra em Paleolítico, Mesolítico e
Neolítico.
A maior parte dos acontecimentos do Paleolítico na Europa e na Ásia fora
dos trópicos ocorreu em um clima muito mais frio, em conseqüência da formação
de vastas áreas de gelo nas latitudes mais ao norte e extenso desenvolvimento
de geleiras nas latitudes mais ao sul, inclusive nos Alpes e nos Bálcãs, sendo
esta a última “Era Glacial”. A última fase fria terminou há cerca de 10.000
anos, e as diferentes fases de calor e frio podem ser reconhecidas
arqueologicamente devido à preservação
dos ossos de animais característicos e até mesmo do pólen de determinadas
árvores – cronologia relativa. Os arqueólogos também utilizam evoluções das ferramentas de pedra
para subdividir o Paleolítico em fase Inferior (mais antiga), Média
e Superior.
Fora da África, não foram encontrados fósseis humanos que fossem
comprovadamente do estágio de evolução australopiteco, datados entre 2 a 5
milhões de anos atrás. Os mais antigos fósseis humanos na Europa e na África
pertencem ao estágio do Homo erectus, datado entre 1,5 milhão e 200.000 anos
atrás, apesar de a Europa e a parte não tropical da Ásia não terem indícios
suficientes da ocupação pelo homem antes de 1 milhão de anos atrás. Foram
descobertos fósseis de Homo erectus na França, Alemanha, China e Java.
Os
utensílios (isto é, tipos de ferramentas) usados pelo Homo erectus pertencem ao
Paleolítico Inferior, sendo o mais característico o machado de mão, implemento
de múltiplo uso construído tirando-se pedaços (lascas) de uma pedra até
conseguir a forma desejada e um lado cortante. Eram também utilizadas
ferramentas simples feitas com lascas tiradas de uma pedra. Já neste estágio os
humanos usavam o fogo, o que pode ser exemplificado pelo endurecimento da lança
pelo fogo. Apesar de as ferramentas do Paleolítico Inferior terem sido usadas
até cerca de 100.000 anos atrás, o Homo erectus parece ter passado para um
estágio mais desenvolvido entre 300/200.000 e 100.000 anos atrás, pelo menos na
Europa.
O estágio do Paleolítico Médio, de 100.000 até 30.000 anos atrás, é
associado ao homem de Neandertal (Homo sapiens neanderthalensis, assim chamado
em homenagem ao vale de Neandertal na Alemanha, onde foram encontrados seus
primeiros fósseis). Enquanto o Homo erectus ocupava a Eurásia apenas nos
períodos relativamente quentes, o homem de Neandertal, podia explorar ambientes
árticos nas fases glaciais, vivendo em cavernas e em tendas de pele presas por
ossos de mamute.
Ferramentas
de pedra do Paleolítico Médio, feitas principalmente com lascas, eram mais
especializadas que as anteriores e incluíam pontas de lança, facas e
ferramentas para raspar madeira e peles. Os homens de Neandertal foram os
primeiros a enterrar seus mortos e também tinham uma noção de beleza: análises
científicas mostram que na caverna de Shanidar, no Iraque, um homem de
Neandertal foi enterrado sobre uma camada de flores da primavera.
Há muita controvérsia cientifica sobre a data do primeiro aparecimento
dos homens anatomicamente modernos (Homo sapiens, também chamado de homem de
“Cro-Magnon”, em homenagem a uma caverna em “Dordogne”, França). Acredita-se
que em algumas partes do mundo eles tenham surgidos antes de 40.000 AC., embora na Europa e no norte da Ásia
isso tenha ocorrido relativamente tarde – talvez até 30.000 AC. na
Europa Ocidental.
Na
Eurásia, ferramentas do Paleolítico Superior, associadas ao homem moderno, têm
suas peculiaridades: as ferramentas de pedra são baseadas em lâminas (lascas
longas e finas), utilizadas em uma variedade ainda maior de ferramentas
especializadas. Pela primeira vez, nota-se o surgimento regular de ferramentas
de ossos. Ouro aspecto da cultura do Paleolítico Superior é a arte da “Era
Glacial”encontrada, por exemplo, em cavernas pré-históricas da França e
Espanha.
As
realizações destes seres humanos primitivos incluem o povoamento dos até então
desocupados continentes da Australásia e Américas. Uma realização menos
positiva é a extinção de muitas espécies de mamíferos de grande porte ao final
da última “Era Glacial”(cerca de 8000 AC.), pelo menos em parte devida aos
eficientes métodos de caça dos povos do Paleolítico Superior.
O
fim da “Era Glacial” na Europa e em partes da Ásia foi marcado por aumentos
significativos na temperatura e na pluviosidade. Um ambiente quase sem árvores
foi substituído por florestas, especialmente na Europa ao norte dos Alpes, e
espécies de mamíferos adaptados à tundra e às estepes foram substituídos por
espécies das florestas. Para adaptar a estas mudanças, os seres humanos
passaram a viver em grupos menores e a explorar os crescentes suprimentos de
pássaros selvagens e peixes. Na Eurásia, o uso do arco e flecha tornou-se
importante neste período.
As culturas mais antigas do Neolítico, definidas pelo surgimento da
agricultura como meio de vida, foram encontradas no Oriente Médio, em uma área
entre a Turquia e Israel, a oeste, e o Irã, a leste. Nesta área havia
ancestrais selvagens do trigo e da cevada, dos carneiros, cabritos, porcos e
gado. Os sítios arqueológicos do Neolítico mais antigos datam do período de
9000 a 7000 AC. , contemporâneo ao período Mesolítico na Europa. No entanto, no
Oriente Médio as alterações climáticas associadas ao fim da “Era Glacial”foram
menos marcantes que na Europa e a pressão populacional é uma explicação mais
plausível para o início da agricultura que a alteração climática. Ao redor de 6000
ª C., havia no Oriente Médio aldeias de tamanho considerável.
A
expansão da agricultura foi relativamente rápida: sítios Neolíticos na Grécia
formaram-se antes de 6000 AC e apareceram na Grã-Bretanha em torno de 4000 AC.
Durante os 2.000 a 3.000 anos de duração do Neolítico, surgiu uma considerável
distinção social, juntamente com poder político cada vez mais centralizado.
Estes acontecimentos estão associados à construção iniciada em muitas partes da
Europa neste período de grandes monumentos fúnebres e cerimoniais feitos de
terra e pedra. A produção especializada e o comércio de uma série de objetos e
materiais também se desenvolveram.
O cobre e o ouro eram os principais metais utilizados durante a Idade do
Bronze (liga de cobre com um pouco de estanho). A produção de objetos de metal
é um processo complexo, sendo que a descoberta da metalúrgica provavelmente
ocorreu de forma independente em vários locais, inclusive no Oriente Médio, no
Sudeste da Europa e no Sudoeste da Ásia. Em certas partes da Europa e do
Oriente Médio, alguns objetos simples de cobre já eram utilizados séculos antes
do início da Idade do Bronze: este período de transição é chamado Idade
Calcolítica (“cobre-pedra”).
As
distinções sociais aumentavam à medida que os indivíduos mais poderosos
mostravam seu “status através de armas de bronze e jóias de ouro”. O status e o
poder de certos indivíduos era notadamente marcante no final da Idade do
Bronze, como mostram vários monumentos fúnebres imponentes e oferendas, como os
túmulos micênicos e as armas e armaduras encontradas em vários túmulos da
Europa Central.
O desenvolvimento de trabalhos com ferro no Oriente Médio e sua
expansão, iniciada em cerca de 1000 AC., não tiveram efeito imediato nas
culturas do final da Idade do Bronze. As sociedades dos povos celtas da Idade
do Ferro nas regiões temperadas da Europa desenvolveram-se diretamente das
culturas do final da Idade do Bronze. As sociedades européias da Idade do Ferro
tinham cada vez mais contato com a Grécia e Roma, inicialmente através do
comércio e depois através da invasão romana em grande parte da Europa celta.
Tais fatos marcam o fim da pré-história naquelas regiões. Entretanto, as
regiões periféricas da Europa (Irlanda; Escócia; Escandinávia e norte da
Alemanha) nunca foram colonizadas pelos romanos. A saída destas regiões da
pré-história ocorreu gradualmente, nos últimos 1.500 anos, após sua conversão à
outras religiões, como o cristianismo.
“Quem não pode realizar grandes coisas, deve lembrar-se de que pode mostrar-se grande nas pequenas coisas que sabe e que possa realizar”.
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